Semana Missionária terá Roda de conversa sobre Alcoolismo e Drogadição


Data da Postagem: 22 de Julho de 2017

Rodas de Conversa, enriquecerão os participantes da Semana Missionária que acontecerá nas Arquidioceses e Dioceses banhadas pelo Rio Paraíba. Confira o tema da II Roda de Conversa: “Alcoolismo e Drogadição no meio dos jovens”

Na terça-feira, 25 de junho,  os jovens são chamados a realizar em todos os lugares de missão uma Roda de Conversa sobre o tema acima. Esta será a segunda ocasião em que os jovens irão parar para refletir sobre um tema de grande relevância social no ambiente de ação evangelizadora que estarão realizando. O primeiro será realizado na segunda-feira, 24 de julho.

Problemas graves enfrentados pela juventude

Depois de dois anos de intenso trabalho e de duas Assembleias Gerais da CNBB que se debruçou sobre o tema da juventude, os bispos aprovaram, em maio 2007, o documento: “Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais”. Este texto já expressa o problema das drogas como um dos principais problemas do jovem no País: “Eis alguns dos principais problemas com os quais se deparam, hoje, os jovens brasileiros: a disparidade de renda; o acesso restrito à educação de qualidade e frágeis condições para a permanência nos sistemas escolares; o desemprego e a inserção no mercado de trabalho; a falta de qualificação para o mundo do trabalho; o envolvimento com drogas; a banalização da sexualidade; a gravidez na adolescência; a AIDS; a violência no campo e na cidade; a intensa migração; as mortes por causas externas (homicídio, acidentes de trânsito e suicídio); o limitado acesso às atividades esportivas, lúdicas, culturais e a exclusão digital“.

Entre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas pelos bispos que compõem a CNBB, em abril de 2015 com validade para o quadriênio 2015-2019, em uma das suas cinco urgências pastorais, encontra-se também recomendação que alerta para o perigo que o alcool e as drogas em geral representam para a juventude no Brasil: “Crianças, adolescentes e jovens precisam de maior atenção por parte de nossas comunidades eclesiais, pois são os mais expostos ao abandono, às drogas, à violência, à venda de armas, ao abuso sexual, ao tráfico humano, às várias formas de exploração do trabalho, bem como à falta de oportunidades e perspectivas de futuro“.

“Crianças, adolescentes e jovens precisam de maior atenção por parte de nossas comunidades eclesiais, pois são os mais expostos ao abandono, às drogas”

DGAE, 2015-2019

O alcoolismo pode chegar à vida dos jovens de vários modos. Há muitas teorias a respeito do problema. Por exemplo: o jornal “O Globo”, em 2014, publicou resultados de estudo sobre o tema realizado pela Universidade de Pittsburgh e pelo Norris Cotton Cancer Center, nos Estados Unidos. O principal resultado é de que o consumo excessivo de álcool dos jovens está ligado à menção que as músicas fazem da bebida. baseado em uma pesquisa com 2.541 pessoas com idades entre 15 e 23 anos, o estudo afirma que políticas públicas e educacionais podem limitar a influência do álcool na música popular e, assim, diminuiriam o consumo de bebida entre jovens. “O Globo” relata: “Um adolescente comum é exposto anualmente a cerca de 3 mil referências a bebidas alcoólicas enquanto ouvem música – destaca Brian Primack, autor chefe do estudo e diretor do Programa de Pesquisas de Mídia e Saúde na Escola de Medicina de Pittsburgh. – É importante compreender o impacto negativo que essas referências podem ter em uma faixa etária, induzindo o consumo de álcool. O álcool é considerado a terceira maior causa de morte nos EUA relacionada com o estilo de vida, segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças“.

Álcool e outras drogas

A Drogadição, o tema correlato da segunda Roda de Conversa, é um processo que precisa ser melhor conhecido para que o debate seja proveitoso. Numa pesquisa rápida no Google, pode-se se chegar a uma maior clareza do termo: “Drogadição ou toxicodependência são termos genéricos que designam toda e qualquer modalidade de vício bioquímico por parte de um ser humano ou a alguma droga (substância química) ou à superveniente interação entre drogas (substâncias químicas), causada ou precipitada por complexo de fatores genéticos, biofarmacológicos“.

Por meio da Campanha da Fraternidade de 2001 com o tema: “Vida sim, drogas não”, a CNBB trouxe esse problema para amplo debate nas comunidades de todo o Brasil. Naquela ocasião, padre padre Haroldo Rahm, presidente nacional da Federação das Comunidades Terapêuticas no Brasil, que reúne mais de 500 instituições que trabalham com dependentes, disse ao jornal “Folha de São Paulo”: “A juventude está sendo destruída pelas drogas, sobretudo pelo álcool”. O repórter Aureliano Biancarelli, na época, escreveu: “Para a CNBB, o dependente de drogas é uma pessoa doente que necessita de cuidados e que merece solidariedade. Uma das recomendações é a criação, em cada diocese, de centros para atenção e recuperação de dependentes. A campanha tem o mérito de abrir a discussão para um problema que aflige milhões de famílias. Abordar o álcool e as drogas sob um olhar cristão é, no mínimo, reduzir o preconceito e o estigma que pesam sobre os dependentes“.

“A juventude está sendo destruída pelas drogas, sobretudo pelo álcool” – Pe. Haroldo Rahm

O texto-base daquela campanha registrava uma entrevista dada pelo cantor e compositor Renato Russo, da banda Legião Urbana. O depoimento dele pode servir para ajudar na Roda de Conversa dos jovens. O depoimento seria usado em uma reportagem sobre dependentes químicos, que acabou não sendo publicada. Russo falou de desesperança, sofrimento e busca da fé. “Eu só quero ajudar, por isso dei esse depoimento“.

Depoimento de Renato Russo, Legião Urbana

“Eu usei droga dos 17 aos 30 anos, fui um completo idiota. Hoje, eu tenho problemas de fígado, depressão, sequelas desses anos. O dependente químico é visto como um sem-vergonha, existe muito estigma social e muita dor. Quem não tem esse problema acha que é frescura. Quem tem é geralmente gente muito sensível, é tudo uma gente maravilhosa que entra no buraco e não sai.

[…] a verdade é que a droga não traz nada de bom para ninguém, eu é que achava que precisava de droga. Para me desintoxicar eu segui os 12 passos do NA (Narcóticos Anônimos) e do AA (Alcoólicos Anônimos). Eu não vou dizer quais são porque o doente precisa ir até lá, senão não funciona. É fundamental que a família do dependente tenha apoio, porque a família inteira adoece junto com ele. Temporada em clínica também pode ser bom. Já li livros que dizem que clínica é como um campo de concentração, o que é uma bobagem. Você precisa de acompanhamento porque é muito sofrimento parar com a droga. Durante a desintoxicação, você precisa de um acompanhamento clínico e psiquiátrico. Na hora que você chega no fundo do poço é que é diferente para cada um.

[…] Ou a pessoa descobre a religião ou ela segue os 12 passos do NA e do AA. Em 1990, fui para (…) uma clínica de desintoxicação no Rio de Janeiro, e fiquei lá um mês. É o próprio paciente que tem de ir, não adianta a família levar, você tem de estar andando. Lá eu fazia ginástica, tocava sino, me alimentava muito. Todo mundo é tratado igual. Só isto tudo não basta. Você só consegue sair de uma situação assim se encontrar um caminho espiritual. Se você não é um religioso, tem de descobrir a fé que perdeu na vida. Porque quem usa droga tá no fim da vida. Essa é a doença da solidão e da negação – sua e dos outros, porque todo mundo vai te dizer que você não tem nada. Eu tive uma recaída este ano, foi horrível. Você perde completamente a dignidade, é muito trágico.”

Depoimento dado a Vanessa Haigh. Jornal da Tarde, 12/10/96.
Citado no Texto Base da CF-2001

Por CNBB